Divórcio dos pais afeta vida escolar das crianças
- 11 de nov. de 2018
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O divórcio dos pais afeta profundamente a vida escolar dos filhos pequenos, segundo conclusões de uma pesquisa americana. De acordo com o estudo, as crianças sofrem uma queda em seu desempenho acadêmico, além de desenvolverem dificuldade para se relacionar com os colegas, é preciso que os pais redobrem a atenção dispensada aos filhos nesse delicado momento da vida familiar.
Quando um casal decide separar-se, por vezes, esquece-se que quem mais sofre são os filhos. Muitas vezes o insucesso escolar deve-se à instabilidade familiar.
O divórcio é um acontecimento que implica necessariamente a reorganização familiar, é um período de «crise» que envolve muitas mudanças. Neste processo os pais devem manter-se atentos e tentar satisfazer as necessidades dos filhos, algo que se pode revelar muito difícil quando os pais estão mergulhados em sentimentos negativos como a tristeza e o ressentimento, rejeição ou fracasso.
Num período conturbado de grandes mudanças familiares, como é o divórcio, é fundamental que os pais consigam fazer uma adequada gestão destas emoções negativas e consigam dar resposta às necessidades dos filhos. É muito importante que os pais separados respeitem as rotinas e os rituais das crianças, para que as mudanças não sejam demasiado grandes e as crianças consigam manter alguma estabilidade.
No que respeita ao percurso escolar dos filhos e às suas tarefas escolares, ambos os pais devem acompanhar de perto o percurso dos filhos e colaborar no estabelecimento de rotinas promotoras do seu sucesso acadêmico. Embora não seja um processo fácil, é possível e aconselhável que os pais estabeleçam uma comunicação adequada, direta e assertiva relativamente a tudo o que diz respeito aos filhos, incluindo as questões escolares, que partilhem informação relevante e tomem decisões conjuntas relativamente a questões importantes do quotidiano da criança.
Não há «receitas» mágicas nem regras que se apliquem a todas as situações familiares. Sem esquecer que cada família é única e cada uma pode apresentar necessidades diferentes, os pais devem estabelecer padrões de comunicação e acordos próprios em benefício dos seus filhos. Colocar as necessidades das crianças/jovem acima das suas desavenças e sentimentos negativos é o aspeto fundamental para minimizar o sofrimento dos filhos e contribuir para o seu ajustamento psicológico.
O insucesso escolar é muitas vezes o «espelho» da instabilidade emocional de uma criança. Quando existem situações de instabilidade familiar, como sendo o divórcio, violência doméstica, negligência ou outras, é comum a criança apresentar um decréscimo no seu aproveitamento escolar, sendo este um dos principais sinais de alerta para pais, educadores e outros adultos significativos que fazem parte da vida da criança. Se a criança não se encontra emocionalmente bem, se está triste, preocupada, ansiosa ou com medos intensos, é expectável que a sua motivação escolar diminua e que a sua disponibilidade para a aprendizagem fique comprometida.
Para além do insucesso escolar, existem outros sinais de alerta que geralmente podem estar associados a situações de instabilidade familiar e que merecem atenção. São frequentes problemas de comportamento, quer em casa quer em contexto escolar, maior inquietude, problemas de atenção e concentração, problemas relacionais com o grupo de pares e, em algumas situações, a criança ou jovem pode revelar um maior isolamento e desinteresse por atividades antes praticadas com entusiasmo. É necessário estar atento a estes ou outros sinais que a criança evidencie. No fundo é necessário que os pais estejam atentos a todas as alterações comportamentais ou emocionais que os filhos possam revelar.
Que cuidados devem ter os pais separados?
Para os pais que estão a passar, ou passaram, por uma situação de divórcio é importante apontar alguns aspetos que contribuem para uma melhor adaptação dos filhos à separação e às mudanças que daí decorrem:
Manter uma relação construtiva de colaboração e respeito com o ex-cônjuge, tendo sempre em mente que têm um projeto em comum, a educação dos seus filhos;
Manter com o pai/mãe dos filhos uma comunicação assertiva, direta, procurando não recorrer a intermediários;
Evitar «jogos» de recriminação e acusações com o ex-cônjuge, ter cuidado com a linguagem utilizada, sobretudo na presença dos filhos;
Saber separar o papel de ex-cônjuge do papel de mãe e pai, adotando novos padrões de comportamento e assumindo uma parentalidade conjunta positiva;
É fundamental dar segurança e estabilidade aos filhos, dando-lhes atenção e amor, usufruindo de tempo de qualidade com eles;
Respeitar o tempo que o outro progenitor passa com os filhos;
Conversar e escutar os filhos, pedir a sua opinião relativamente a alguns aspetos, o que não significa que a tomada de decisão seja deles. A tomada de decisão e a responsabilidade de decidir deverá ser sempre dos pais;
Não esquecer a implementação de regras claras e rotinas. Evitar um estilo parental e práticas mais permissivas como forma de «compensar» os filhos pelo sofrimento que o divórcio dos pais causou. Isto só fará aumentar a instabilidade familiar e a insegurança da criança, podendo a longo prazo ter repercussões negativas no seu desenvolvimento.
Os pais precisam colocar seus desacordos em segundo plano e dar prioridade às necessidades dos filhos, estabelecendo uma relação de colaboração e respeito. Devem encontrar um equilíbrio e implementar estratégias que lhes permitam educar os filhos e contribuir para que se tornem adultos felizes.
Fonte: https://veja.abril.com.br
https://www.crescercontigo.pt





















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