Transtorno de Oposição Desafiante
- 10 de out. de 2017
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Segundo o DSM-V, o transtorno de oposição desafiante se trata de uma conduta persistente e negativa, na qual o indivíduo apresenta humor raivoso e irritável, é desobediente e questionador às regras que são impostas, desafiador em relação às exigências e eventos que lhe são colocados, hostil com figuras de autoridade e de natureza vingativa. Normalmente, esses comportamentos são notados logo no início da vida social, na infância, antes dos 8 anos de idade, porém podem desencadear efeitos duradouros no comportamento do sujeito.
Manifesta-se na infância antes dos 8 anos de idade, e pode agravar-se na adolescência. Geralmente inicia-se no ambiente doméstico e estende-se para outros ambientes e situações. A prevalência é de 2 a 16% da população em idade escolar.
Muitas vezes o TOD ocorre em comorbidade com outros transtornos, incluindo transtornos de humor, ansiedade, conduta e déficit de atenção/hiperatividade, aumentando a necessidade do diagnóstico precoce e intervenção, para desenvolver ações preventivas junto à criança, família e educadores.
Para um indivíduo ser considerado com transtorno de oposição desafiante, é necessário que os comportamentos indesejáveis socialmente ocorram com frequência recorrente, que sejam persistentes e que haja impacto sobre terceiros, desconsiderando irmãos. Além disso, é necessário que pelo menos quatro desses oito tipos de comportamentos sejam apresentados:
Se descontrola com facilidade;
Frequentemente entra em confronto e briga com adultos;
Constantemente desafia ou recusa a obedecer a solicitações ou regras dos adultos;
Frequentemente se comporta com intenção de chatear ou incomodar outras pessoas;
Não admite seu erro ou comportamentos indesejáveis e coloca a culpa em outras pessoas;
Facilmente fica aborrecido;
Frequentemente mostra-se enraivecido ou ressentido;
É malvado ou vingativo.
Os comportamentos acima citados devem ocorrer com frequência maior do que comparado a outros indivíduos de mesma idade, gênero e cultura para se considerar o diagnóstico de TDO e acarretar consequências negativas na produtividade, no cotidiano e em seu ambiente (APA, 2014).
As crianças que apresentam TDO, normalmente exibem os sintomas e comportamentos desafiadores/opositores em casa, podendo não demonstrar os mesmos comportamentos na escola ou na comunidade. Porém, quando é estendido a outros ambientes, é apresentado um caso mais grave do transtorno. Essa discrepância também acontece com o alvo ao qual as crianças direcionam o comportamento, preferindo sempre pessoas próximas ou adultos com os quais tenham um contato maior e certa familiaridade (American Psychiatric Association, 2014).
Em indivíduos com TDO, a percepção de seu próprio comportamento em geral é contraditória com a realidade, e normalmente afirmam que os comportamentos desafiadores opositores são resultado de exigências e eventos absurdos colocados para ele (Camargo, et al, 2008).
O transtorno desafiador de oposição pode ser influenciado por fatores genéticos e ambientais como a reatividade do cortisol basal reduzida, anormalidades no córtex pré-frontal e na amígdala. Entretanto, grande parte das pesquisas que encontraram marcadores neurobiológicos que poderiam explicar o transtorno foram feitas em amostras que não diferenciaram transtornos de conduta e o transtorno de oposição desafiante, tirando a especificidade desses fatores estudados (APA, 2014).
Nota-se que a maior parte dos indivíduos com transtorno desafiador de oposição são do sexo masculino. Nas meninas, na maior parte das vezes as causas para esse transtorno são de natureza genética (Camargo, et al, 2008). Fatores emocionais, como níveis elevados de reatividade emocional e baixa tolerância a frustrações, podem estar relacionados à predisposição do desenvolvimento do transtorno. Crianças que se encontram em situação na qual os pais estão em discórdia conjugal têm maior chance de desenvolver TDO. Além disso, problemas domésticos em geral podem induzir e agravar os casos (APA, 2014).
Segundo Camargo et al., os indivíduos com TDO têm dificuldades na inibição de respostas motoras em tarefas que exijam parada abrupta da execução da atividade e apresentam déficits cognitivos quentes, que estão relacionados a dificuldades no controle de emoções e autoregulação. Além disso, crianças diagnosticadas com TDO têm mais dificuldade de lidar com situações de punição/reforço, prejudicando a aprendizagem de comportamentos socialmente aceitáveis, se submetendo a situações arriscadas com maior frequência e menor receio.
Apesar de ser considerado um transtorno de difícil tratamento, as dificuldades enfrentadas por pais e professores frente ao comportamento expresso por crianças diagnosticadas com TDO podem ser amenizadas ou até revertidas completamente através de psicoterapias, fármacos, programas desenvolvidos pela escola e comunidade, tratamentos hospitalares e serviços sociais (Pesce, et al, 2008). Considerando as peculiaridades agravantes em cada caso, como comportamentos persistentes ou de intensidade maior, interferência no desempenho acadêmico, de relações pessoais e desenvolvimento causadas pelo transtorno, as intervenções mais aconselháveis são de treinamento de pais e intervenção medicamentosa (Pinheiro, Schmitz, Mattos, & Souza, 2004).
É necessário, em todos os casos, não concentrar a intervenção somente na criança, mas também em todo o contexto no qual ela está inserida e que interfere na maneira como ela responde ao tratamento. É necessário a compreensão e engajamento dos pais e professores, auxiliando a criança a se engajar em sua melhora e alterando o ambiente, propiciando seu desenvolvimento bem sucedido e um futuro favorável às expectativas da família, criança e sociedade.
Fonte: https://lndufmg.wordpress.com
http://www.guiameubebe.com.br/artigos/157-tod-transtorno-desafiador-opositivo





















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